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Contracorrente

A seita da austeridade

Perante o fracasso da austeridade, perante a sua refutação generalizada do ponto de vista económico e racional, parece restar a crendice. A doutrina vem do dr. Passos Coelho, sobre a Grécia: "Se o próprio Governo que vai conduzir o processo de reformas que precisam de ser feitas não acreditar nesse processo, tornar-se-á progressivamente difícil que os outros acreditem que elas vão ser realizadas" (via dinheiro vivo).  

Já não basta não haver alternativa (politicamente). É preciso que, estando este caminho único carecido de qualquer sentido legítimo, passe a ser objeto dum dogma. Resta apelar ao voluntarismo quando a razão já não fornece qualquer base de sustentação.  Mas é uma crendice perigosa. Pedir que se acredite numa ideia que, não só foi refutada, como provoca decadência (na forma de depressão económica) é pedir um sentimento de prazer destrutivo, que chega mesmo a ser autodestrutivo, quando o sujeito da crença seja um membro da comunidade a sofrer. A comparação mais visual é com uma seita suicida. É isto que se pede e que se exige - convicção na autodestruição.

 

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