Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Contracorrente

Estranho país

A pensão média não chega a 400 euros; dizem-nos que o problema é o sistema de pensões, é o conjunto dos pensionistas que, em média, recebem menos do que o salário mínimo. O desemprego e o ajustamento salarial provocaram um rombo épico à segurança social, criando um buraco que agora querem tapar; mas isso é omitido, repetindo-se constantemente que o problema é puramente demográfico. Não se pode dizer às pessoas que vão ter uma pensão mais baixa por causa do ajustamento, por causa de quem o promoveu e executou como política - os mesmos que querem agora tapar o buraco. Dizem-nos que é preciso cortar nas pensões a pagamento porque os mais novos têm a pensão em risco, num puro golpe de retórica: não visam esses cortes garantir pensões maiores no futuro, pelo contrário, avisam-nos que teremos pensões mais baixas no futuro.

E o cúmulo de tudo: os mesmos que falam desta forma dos problemas da segurança social não só não se referem ao elefante na sala que é o ajustamento, como vêm propor um plafonamento. Significaria a total descapitalização da segurança social, a sua insustentabilidade para pagar pensões atuais e futuras. Lágrimas, afinal, de crocodilo foram vertidas pela segurança social. Tudo parece passar ao lado de boa parte da imprensa, que reproduz acriticamente a retórica do engano e a irresponsabilidade épica proposta logo a seguir ao discurso apocalíptico, isto quando não participa ativamente em tal discurso logicamente contraditório e, no plano valorarativo, pouco recomendável. Triste país.