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Contracorrente

O défice democrático

Ouvimos muitas vezes dizer: "as pessoas queixam-se mas votam neles". Até parece ser verdade, olhando para o parlamento. Mas não é bem verdade. Como lembra o Daniel, metade dos eleitores não vota nos partidos com representação parlamentar.

Mais importante do que tentar justificar o injustificável, seria aconselhável que os partidos que formam o "arco parlamentar" se questionassem sobre as razões que levam mais de metade dos cidadãos eleitores a não lhes confiar o seu voto. Mais do que arranjar desculpas e alijar responsabilidades, os partidos que integram o sistema politico-parlamentar deviam procurar as causas profundas que têm conduzido ao exponencial afastamento dos cidadãos da vida política, não fora, mas dentro do próprio sistema de representação política e no seio dos próprios partidos.

Os estudos realizados nos últimos anos sobre a confiança dos portugueses na sua democracia, têm revelado dados alarmantes sobre a entranhada descrença nas instituições políticas. Os portugueses estão entre os europeus que menos confiam nos políticos, nos partidos e nas instituições democráticas.

O actual momento político devia exigir uma grande humildade por parte dos partidos políticos, percebendo o quão pouco já representam na sociedade portuguesa e o quão frágeis são os seus elos sociais. Independentemente da solução de governo que vier a ser encontrada e mesmo que goze de um apoio maioritário no Parlamento, uma coisa é certa, ele será sempre uma solução com um apoio minoritário na sociedade portuguesa. O próximo governo, independentemente das suas cores políticas, representará apenas uma reduzida fracção de portugueses. O máximo que o futuro governo, mesmo que "maioritário", pode aspirar, é a representar cerca de 1/3 dos eleitores portugueses. Haverá sinal mais alarmante do défice democrático?