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Contracorrente

O falso predomínio do derrotado

Atitude natural seria Costa sair, porque perdeu eleições depois de derrubar quem vencia por poucochinho, haver eleições internas e o PS poder discutir o que correu mal e o que se pode fazer no futuro, partindo da oposição. Não se discutiriam as convicções do PS nem haveria um dilema fundamental sobre a solução de governação (a adicionar aos dilemas que o PS já tem), mas sim um debate sério e interno, para construir uma solução externa. Ao invés disso, não se discute nada racionalmente, tira-se o peso de cima de quem é responsável pelo resultado do PS nas legislativas, e atira-se o ónus para outros, criando-se uma divisão. Isto implica colocar um PS em frangalhos no centro do debate político, completamente exposto nas suas feridas, num mediatismo que não interessa a quem perdeu, pondo um partido sem iniciativa política (e logo sem capital político) numa posição idêntica à de quem tem a preponderância. Cria-se, assim, uma questão que, em situação normal de mera derrota não existiria, de escolha entre levar o país para a esquerda (num acordo cujas circunstâncias e condições provavelmente são insustentáveis para o PS) ou entregar o país à direita – como se fosse o PS o protagonista disso, e não os resultados eleitorais. O objetivo permanece insondável. Levantarei algumas hipóteses no próximo post. De qualquer forma, está a transformar-se uma derrota eleitoral num novo problema estrutural do PS, em prejuízo do partido e dos interesses do país.