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Contracorrente

O mesmo final, com luta ou sem luta

O povo queria mudar. Depois de anos de austeridade, de contestação e de troika sem que os resultados fossem os esperados, as promessas feitas por Tsipras fizeram os gregos acreditar que a mudança estava ali. Era possível. "Após cinco anos de um resgate bárbaro o nosso povo não aguenta mais" disse Alexis Tsipras na apresentação do seu programa de governo no Parlamento da Grécia. 

O caminho a seguir não estava escolhido, mas o caminho a não seguir parecia estar: o da austeridade. 

Depois de meses de negociações, de posições extremadas, de avanços e recuos e de um referendo que pretendia dar voz ao povo Grego, finalmente apareceu um acordo. Um acordo que vai implicar mais austeridade e que vai obrigar Tsipras a falhar as promessas feitas. A pergunta é inevitável: para que serviram estes meses de luta?

“Quem tiver uma solução alternativa que avance e diga qual é”, desafia Tsipras. Luís Aguiar-Conraria, neste post no Destreza das Dúvidas, toca no ponto fundamental: existem muitas alternativas, são é piores.

Nestes meses de negociações parece evidente que nunca foi preparada uma alternativa ao acordo, e, sem alternativa, no final da linha a Grécia seria forçada a assinar um acordo pior. Tal como aconteceu.

Ontem voltaram os confrontos às ruas. Quem acreditou que as promessas feitas em campanha podiam ser cumpridas sente-se enganado. Os próximos tempos vão ser ainda mais difíceis.

Tsipras vai ter que seguir o caminho que prometeu não seguir.