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Contracorrente

Reflexão num minuto (3)

Daniel Adrião, A nova Europa

As últimas semanas permitiram revelar à exaustão algo que há muito já se sabia, mas que a cumplicidade dos políticos europeus do chamado "socialismo governamental", somado a uma comunicação social acrítica, amplificadora da narrativa dominante, ajudou a "branquear" e a dissimular durante muito tempo: as instituições europeias estão tomadas por uma corrente radical neoliberal. (...)

Finalmente, ficamos a dever aos gregos a queda de outro tabu: a reforma dos Tratados. Está hoje claro o falhanço das políticas macroeconómicas impostas à Grécia e a Portugal, por força das regras inscritas quer no Tratado Orçamental quer no Tratado do Mecanismo Europeu de Estabilidade. O futuro da estabilidade da zona euro dependerá em grande medida das mudanças que têm de ser feitas na arquitectura da União Económica e Monetária e que passam por uma profunda revisão dos Tratados, conferindo-lhes maior flexibilidade por forma a respeitar as diferenças entre as economias da zona euro, que precisam de tratamento diferenciado, ajustados às suas condições estruturais.  (...)

Mas também sabemos que essa alternativa é ainda claramente minoritária. A Europa dos actuais líderes europeus não é a mesma Europa de "paz e prosperidade" com que sonhou Schuman e Monet, nem sequer a Europa "a uma só velocidade" por que se bateram Delors, Kohl e Mitterrand. A actual Europa não é dos "Estadistas", é dos "financeiros".