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Contracorrente

Responsabilidade política

Do ponto de vista estritamente substancial, leio alguns bons temas de negociação entre o BE e o PS. É a vantagem do diálogo. Desse ponto de vista, o que é mais estimulante para quem defende uma economia em progresso é a descida do IVA da eletricidade. Não deixa de haver uma interrogação: como compensar tudo isto em termos das regras atuais europeias? Do ponto de vista político, digo que não faz nenhum sentido o PS governar após sair derrotado, sobretudo nestas circunstâncias europeias. De qualquer forma, essa governação para ser operativa teria de ser uma coligação (Jerónimo e Catarina como vices PM), com um programa comum. Digo "teria" e não "tem", porque continuo convencido de que não haverá coligação de esquerda. E o motivo não é de vontades, mas a falta de condições políticas. Ora, se eu tiver razão, o que a liderança do PS está a fazer resultará numa de duas hipóteses: ou o acordo à esquerda sai frustrado ou, pior, Costa tenta formar governo sozinho (o que seria a total loucura). Em qualquer dessas situações, haveria um juízo a fazer. Não basta a continuação do estado de negação com a benevolência de dizer: "tentou", "foi histórico". Já não se estará a falar no derrube sem sentido de Seguro, ou na condução do PS a uma derrota eleitoral estrondosa no passado dia 4. É que, acontecendo isso, é porque um líder político terá estado, deliberadamente, a tentar salvar o pêlo à custa direta do interesse nacional e colocando o seu próprio partido (e logo um partido tão importante no nosso sistema político quanto o PS) no cepo.