Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Contracorrente

Sobre o Plano B do Syriza

Segundo um artigo no DN o plano dos "radicais" do Syriza para sair do euro passava por confiscar as reservas em euros no Banco central (entre 10 a 20 mil milhões de euros) e usá-las durante oito meses para pagar salários, pensões e financiar importações. Paralelamente, pedia-se ajuda financeira à Rússia e começava-se a imprimir e distribuir o novo dracma pelo pais.

Três comentários a propósito deste plano:
1. Quando a República Checa emitiu moeda própria, fê-lo de surpresa, entre uma sexta e uma segunda-feira, distribuindo-a pelos bancos do pais durante os dias seguintes, em camiões blindados. Não foram precisos oito meses.
2. Logo que a Grécia saísse do Euro, estes milhões confiscados seriam declarados como falsos pelo BCE e os números de série das notas (impressas na Alemanha como as nossas) seriam adicionados às listas mundiais de falsificações.
3. A Rússia não tem capacidade financeira para substituir os financiamentos europeus, especialmente agora que graças ao petróleo não convencional e ao acordo com Teerão o petróleo vai entrar em nova fase de queda sustentada e prolongada.

Se Atenas quer mesmo sair do Euro só tem uma forma: manter o uso e sem restrições do euro e lançar uma moeda electrónica (utilizável via internet e através de smartphones e do seu chip de encriptação) de uso nacional criando mecanismos fiscais de estímulo ao seu uso interno, encetando negociações com parceiros internacionais escolhidos (como a Rússia) para que a aceitassem no comércio bilateral. Nada nos tratados impede tal solução e tal manobra seria além de um grito de soberania e de uma expressão de revolta contra a tirania norte europeia uma forma de contornar o ajustamento pela via convencional do empobrecimento interno de rendimentos.